Fui capaz de engolir todo o melodrama enrolativo perdurado na primeira metade da temporada na esperança de que no final, Matt Negrete entregasse todo o potencial que essa série tem.

Mas o que tivemos foi justamente o contrário, em mais um desperdício de premissa jogada diretamente no lixo.

Posso estar me equivocando por ainda ser o sexto episódio e também primeiro dessa outra metade? Acredito que não. Pois é justamente o SEXTO episódio e nada realmente veio a acontecer além dos Batutinhas deixarem a comunidade.

Nos últimos minutos de Madman Across the Water, um desconhecido surgiu para pôr à prova o primeiro contato dos jovens com um sobrevivente.

E sendo nós já vacinados com grupos de canibais, assassinos com W na cabeça e doidos de pedra que se camuflam com peles de zumbis, um novo rosto chegando às escondidas tinha tudo para ser um potencializador de conflito muito promissor.

Mas o que temos na verdade é Percy, um jovem gótico das trevas, do qual Iris se enamora fácil, fácil.

Realmente, pensar em algo muito mais ameaçador dentro de uma série que em cinco episódios se provou o completo oposto da grotesquidade apocalíptica foi ingenuidade minha.

Porém, olhando em retrospecto, a proposta simples do episódio se encaixa bem dentro da vibe light da série. Mas saber que todas as peças para compor uma narrativa que até agora não encontrou seu tom estão constantemente presentes, fazem a gota d’água para minha insatisfação ser cada vez mais forte.

A direção ponderada de Michael Cudlitz traz mais das subversões do gênero, flertadas uma vez no 4° episódio. Há sustinhos aqui, suspenses acolá. Tudo graças aos enquadramentos precisos que obrigam o telespectador a reparar mais na mise-en-scène.

É um artifício bastante preciso dentro de uma série que trabalha com personagens inexperientes – ou burros, os dois valem – e devia ser explorado cada vez mais.

O desenrolar da missão eleva esse clima de que em algum momento algo ruim  irá acontecer, o que contribui para os jumpscares, mas tudo cai por terra com a conclusão broxante escolhida por Maya Goldsmith.

Graças aos instintos de Iris, que segundo Percy, foi a única a voltar mesmo depois de ouvir o tiro no morro, a turminha foi salva e ainda por cima, absolveram a dupla de larápios.

Além de Elton e Hope estarem alheios a tudo, pois parecem não ligar muito para a presença dos novos integrantes porque estão ocupados partilhando histórias do passado.

Ou seja, corte esses dois – e o enciumado Silas – que não fará diferença alguma na projeção. (Agora entendo o sumiço de Huck).

Aposto trintão e afirmo com 100% de certeza que um triângulo amoroso entre Iris, Silas e Percy irá sair dessa patetada, porque investidas novelascas são mais importantes do que o andar da carruagem para os produtores do TWDu.

Mais uma side quest chegou ao fim, encabeçando um gótico trevoso e um Houdini maquiador ao grupo, com direito a teatrinho com trilha sonora e choramingos cafonas. Porque quando se trata de World Beyond, sentimentalismo vira sinônimo.

Se Maya tinha uma missão, em Shadow Puppets, foi me irritar, e isso ela conseguiu muito bem sob o comando de um showrunner que insiste em esticar a narrativa até não poder mais.

Nota: 2,5/5

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