Chegamos na metade da temporada que dedicou-se exclusivamente para trabalhar seus personagens, mesmo que no caminho tivemos de suportar pieguices uma atrás da outra.

Este quinto episódio tem o foco exclusivo em Elton, o nerd karateka e claustrofóbico, em uma abordagem muito menos apelativa em comparação às anteriores. O rapaz lida com a decisão de ajudar ou não Felix a convencer a turminha a voltar para casa.

Rohit Kumar também aproveita essa brecha para amarrar algumas situações pendentes, fazendo um bom equilíbrio que não tira o foco de seu personagem central. Quando o conflito é posto à mesa, não há apelação por parte do texto e sim uma resolução crível onde todos reconhecem seus erros.

O resultado é uma ótima condução de trabalho coletivo que o episódio anterior sequer teve a vontade de flertar, sendo muito bem dinâmica durante a reconstrução de um barco (pelo menos não é um avião, né dona Fear?).

Elton tem um crescimento significativo, e Dan Liu conduz com a mão certa a superação de seus medos sem precisar utilizar o apelo dramático antes impresso no tratamento dos outros adolescentes. Nada de slow motion maçante ou diálogos expositivos, só a pura e mais comum jornada de superação de um trauma ligado à flashbacks pertinentes.

O agravante temporal também é um bom toque, reforçando a urgência do momento que dá um up no ritmo construtivo.

Para seus finalmente, Kumar enfim põe tudo a mesa - pelo menos uma parte – quando Hope descobre que matara a mãe do karateka. Momento perspicaz que entra logo após a menina consolá-lo, quebrando toda a esperança e jogando mais um peso em suas costas.

Isso me fez pensar que o twist seria um soco maior se não soubéssemos absolutamente nada, pois isso já havia sido plantado logo nos minutos finais do piloto, soando como uma jogada desesperada de Matt Negrete (showrunner do show) para manter o público curioso no desenrolar desse conflito. Mas ao menos ele se redimiu na construção deste, que desde dos primeiros minutos já se encaminhava para tal descoberta.

Ao que aparenta, esse foi o último episódio para trabalhar o íntimo. Então tudo indica que o próximo será livre de flashbacks, já que Huck decidiu sair de cena repentinamente.

Coisa que me fez bufar impaciente só de pensar num episódio inteiramente dedicado a ela, ou em um mero recurso para fazer a personagem aparecer “deus ex machinizando” no momento em que o grupo estiver em perigo iminente.

Surpreendentemente, Madman Across the Water é simpático e trabalha o karateka de modo singelo e bem menos sentimental. Terminando com um potencializador de conflitos na vinda de um sobrevivente que espero ser um serial killer para despertar essa garotada sonolenta.

Nota: 3,5/5

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