Era de se esperar que em algum momento teríamos um episódio para lidar com todos os personagens de uma só vez, mesmo que fosse apenas deixando pistas sobre a história de um ou outro.

Mas o que Sinead Daly fez com seu texto não foi só isso. Também atirou para todos os lados na tentativa de trazer algum significado minimamente importante a cada coisa que vinha em tela.

Claro, há trechos até que interessantes para a condução de alguns personagens, como os flashbacks de Hope com seu pai, aprofundando mais a relação de ambos e expondo o quão a menina rebelde se sentia deslocada.

E Silas que, como previsto, teve seu momento de fúria incorporando a Lucille com os punhos, dando margem para sabermos mais sobre o que ele havia feito de tão assombroso.

Ademais, não temos muita coisa além do habitual. Elton continua de lado, por mais que a montagem dê uma leve piscadela sobre seu trauma, não tem sequer a importância devida que talvez a cena quisesse passar.

Temos um lobão comedor de zumbis que ameaça atacar mais que chihuahua, mas acaba sendo só mais um desperdício do roteiro por não aprofundar na ameaça e colocá-la somente como uma metáfora pífia.

E a ponta feita pelo Gasparzinho assombrando os dutos da escola.

Por quê? Porque o roteiro quis.

Já o cenário proposto foi uma ótima escolha para a direção de Rachel Leiterman brincar com o suspense. (me lembrou muito a fase de TWD Game, da Telltale).

Ora investe em tomadas longas que nos faz temer pelo desconhecido à espreita, outra o clima é cortado pela montagem abrupta que se preocupa mais em investir na aventurinha imaginária do casal vinte, Silas e Iris.

Isso acaba desbalanceando a imersão como um todo, porém ajuda no trabalho sutil das relações que o roteiro flerta. Tal como a aproximação de Elton e Felix, nos apresentando uma posição aparentemente decisiva e conflitante para o nerd fotógrafo que pode render algo a mais lá na frente.

Quando não há mais saídas, somos jogados de volta para assuntos crebos como é o caso de Iris fascinada por uma e-girl, numa tentativa chata do texto de reforçar o que já sabíamos ser a angústia e desilusão da menina em Omaha. Mas Daly se viu obrigada a expor isso até no diálogo entre ela e o tigrão da Sucrilhos.

Se ao menos o grupo já soubesse do ocorrido na comunidade, talvez a prisão do roteiro num cenário só fosse mais aceitável, servindo mais de esconderijo do que uma fuga da chuva num ambiente que coincidentemente tem um estoque cheio. E se o próprio episódio tratasse de uma perseguição dos soldados com os jovens, eu não reclamaria.

A questão é que faltou um senso de periculosidade maior para dar uma guinada nessas interações, que provavelmente seriam bem mais eficazes em meio ao risco. Porque continuar investindo no desleixo deles contra os zumbis é raso e vai acabar tedioso em algum momento.

O pós-créditos é o mais interessante da vez. Mesmo gratuito e que acabe caindo no clichê do gênero apocalíptico, dá um leve up para uma trama promissora.

E o trecho em si já explícita, contribuindo ainda mais na sua gratuidade, que o paizão vai rodar em algum momento nas mãos da Umbrella… digo, CRM. Espero que alguma nova empreitada saia disso aí.

No frigir dos ovos, o quarto episódio é bem fraco. Apoia-se no mais do mesmo tentando trazer alguma importância para assuntos já tratos, mas agora de modo menos melodramático, fazendo uma auto sabotagem quando investe no que realmente importa.

Parece que a marca TWD se sai melhor com uma temporada de estreia diminuta, pois um episódio de garrafa logo de início é um baita de um mau sinal. Espera-se que a relação em grupo se estabilize no próximo episódio e que enfim tenhamos uma narrativa pronta para seguir adiante.


Nota: 2,5/5

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