O vírus em The Walking Dead não faz sentido algum. Enquanto a série usa pedaços putrefatos de zumbis como entretenimento zumbi, a lógica científica sobre a infestação acaba sendo sacrificada. 

Como qualquer outra série com o tema zumbi, The Walking Dead adota a regra número 1 sobre o apocalipse: Não. Seja. Mordido. Por quê? Porque cada boca zumbi está cheia do vírus que destruiu a humanidade. Até mesmo um arranhão irá introduzir o micro-organismo em sua corrente sanguínea e o que se segue é a horrível “reanimação”. Esta é a parte que faz sentido, cientificamente. No estudo das doenças infecciosas, cientistas chamariam os zumbis de hospedeiros do vírus. Isto quer dizer que há um vírus que reside nos zumbis, causando pouco ou nenhum dano a eles, que pode ser passado para outro hospedeiro. Por exemplo, o reservatório do vírus Herpes B – um menos conhecido, porém muito mais fatal que o vírus do herpes – é encontrado em macacos. Ele pode irritar levemente os macacos, mas mata aproximadamente 70% dos humanos que são infectados.

A maioria das narrativas sobre mortos-vivos encerram as regras por aqui. Zumbis possuem um vírus que pode ser transmitido através do sangue e de mordidas… Fique longe deles. Mas The Walking Dead vai além por causa de uma história interessante. E quão longe eles vão deixa apenas uma alternativa científica: Veneno zumbi.

Os melhores zumbis de The Walking Dead: 11º zumbi

No começo da segunda temporada da série, nós aprendemos que todos já estão infectados. Todos os personagens da série são portadores do vírus zumbi, que se manifesta após a morte. Se você morre, você se transforma. Se você é mordido, você se transforma. Se você pensar nisso cientificamente, é confuso. Isso retoma aos hospedeiros. Quando um animal é o reservatório de uma infecção, ele não apresenta a doença. Os macacos que carregam o vírus fatal Herpes B não morrem por causa dele. Da mesma forma, de acordo com o que sabemos sobre os vírus, um ser humano que já carrega o vírus zumbi não morreria instantaneamente logo após outra injeção dele. Se todo mundo em The Walking Dead já carrega o vírus, uma mordida seria apenas uma mordida.

Você não pode infectar o infectado. Mas você pode envenená-lo.

Corpos mortos são sujos. Logo após o nosso corpo parar de repelir bactérias e começar a se decompor, nós somos colonizados por criaturas microscópicas que não são seguras para as pessoas vivas. Por exemplo, o estado de um corpo em decomposição é tão perigoso que as equipes de busca para vítimas de desastres naturais tomam precauções especiais para garantir que não serão infectados. Um corpo em decomposição pode ainda transferir micro-organismos gastrointestinais, tuberculoses e hepatites aos vivos. A própria tuberculose pode sobreviver em um corpo em decomposição por 36 horas após a morte. Portanto, pode-se imaginar que a boca de um corpo em decomposição, continuamente mastigando seres humanos não é o local mais higiênico. Ela abriga um coquetel de bactérias e vírus que poderiam ser considerados um tipo de “veneno zumbi”.

Os melhores zumbis de The Walking Dead: 17º zumbi

Vale lembrar, “veneno zumbi” é o meu termo geral para uma bactéria ou vírus específico na boca de um agressor desprovido de pensamentos que é injetada em você e te bagunça por inteiro. O veneno verdadeiro é mais complexo que isto. O veneno que escorre das glândulas de algumas cobras, por exemplo, é feito de proteínas, e é o resultado de milhões de anos complicados e fascinantes de evolução. Ainda assim, o resultado é o mesmo. Quando um zumbi mastiga você em The Walking Dead, é uma sentença de morte. Porquanto o hospedeiro de um vírus não morre com o vírus que já carrega, o que mata um personagem de The Walking Dead deve ser este “veneno” feito de bactérias e outros vírus associados aos corpos em decomposição. Sem antibióticos, acesso a hospitais em funcionamento, ou treinamento médico, a mordida é efetivamente venenosa. Nós temos que etiquetar isto dessa forma porque embora as bactérias e vírus estejam literalmente em todo lugar, apenas os organismos que vivem na saliva dos zumbis parecem matar. Quando Rick tem um ferimento não infligido por zumbis, ele sobrevive.

Cientificamente, estou saltando um pouco a lógica aqui. Mas infecções e transmissões virais são problemas de saúde os quais entendemos de forma básica, e suas interpretações em The Walking Dead são simplesmente estranhas ao que conhecemos. Por exemplo, se zumbis são os hospedeiros de um vírus que também mata pessoas – como está implícito na série – qualquer contato com qualquer superfície até mesmo próxima a um zumbi seria fatal. Seria praticamente como na Idade Média – raspar seu pulso em algo afiado seria a última coisa que você faria.

Os melhores zumbis de The Walking Dead: 12º zumbi

Para acrescentar insultos ao dano zumbi, complicar os aspectos da infecção dificilmente acrescenta algum valor à narrativa de The Walking Dead. O cenário de morte-e-retorno foi usado algumas vezes na série para causar um efeito ínfimo, e apesar de ter sido a maior revelação da segunda temporada, na realidade não mudou muita coisa. Há zumbis por toda parte, e acrescentar mais um tipo de fatalidade é apenas mais do mesmo.

Uma das poucas vezes em que a noção de infecção viral funcional de verdade foi quando uma espécie de vírus influenza acometeu o grupo de sobreviventes, matando muitos e, portanto tornando-os zumbis Mas nestes poucos episódios, a parte mais assustadora foi quem seria infectado. Foi a realidade de estar incapaz de lutar contra um inimigo invisível que somou à narrativa, não as regras prontas a respeito de se tornar um morto-vivo.

Os melhores zumbis de The Walking Dead: Bônus

Quando The Walking Dead decidiu criar uma mutação para a história moderna de zumbis, acredito que criaram mais confusões do que clarezas. Os fãs questionadores estão certos em achar isto estranho quando um vírus supostamente mata quem já o carrega. Gostando ou não, a ficção cientifica tipicamente precisa torcer – sem quebrar – as leis da ciência para contribuir com o gênero. Um tipo de veneno zumbi feito das bactérias e vírus não relacionados ao surto faria isso. Talvez a série estivesse presa aos conceitos científicos e teve que injetar cada ponto do roteiro na mesma veia. Talvez a precisão científica foi sacrificada para um “melhor” desenvolvimento da história (o que às vezes é aceitável). Mas se você quer fazer o apocalipse zumbi parecer real, completo com analises de CDC (Centro de Prevenção de Doenças) e regras caseiras de transmissão viral, você não pode circundar a própria virologia.

Fonte: Discover Magazine

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