The Walking Dead é sobre pessoas, sobre as características humanas, sejam elas boas ou não. Pessoas covardes, corajosas, pessoas babacas e boas também.

No 12º episódio da 6ª temporada, “Not Tomorrow Yet”, temos de um lado um grupo com o qual o expectador da história se identifica. Rick então discursa como o Governador fez uma vez, e Tara recorda aquele incomodo que acomete a todos que assistem.

A diferença aqui é que seus argumentos não são puramente pautados na ambição e na vingança. São norteados pelo intuito de prevenção – com um bocado de prepotência. Já passaram por muitas situações e querem parar de apanhar. Está na hora de mostrar que as cicatrizes não estão ali apenas para adornar rostos cansados de perder, elas devem assustar aqueles que estão aterrorizando os outros.

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São necessidades básicas que precisam ser supridas para que outras possam se manifestar. Ninguém tinha tempo para um flerte inocente nas escadas de casa quando tinha que estar alerta para a aproximação de zumbis ou pessoas perigosas. Se você não é mais a (o) ultima (o) mulher/homem do mundo, então pode se satisfazer escolhendo melhor. Se é matar ou morrer, até mesmo um padre é capaz de atirar, pois luta pelo que se ama.

Os heróis humanos, diferentes dos superpoderosos de outras HQs, vindos de Krypton ou de Asgard, têm de explorar seus lados monstruosos para provar a nobreza, e ela é dúbia. Os que já mataram demais podem se dar ao luxo de questionar se este é o melhor caminho.

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Os que nunca mataram podem se atrever a justificar seus atos considerando que alguém depende deles. Então o líder, a quem todos respeitam, oferece a ideia e ainda que as caras sejam de desaprovação, o único a falar é o mais inadequado ao contexto, pois errou e quase colocou vidas em risco ao abrigar um lobo sem pele de cordeiro. Cada momento é único e se o comportamento é deixado no “piloto automático” então ninguém tem algo a dizer, calam-se para sempre e consentem com a decisão de assassinar a sangue frio pessoas dormindo.

SPOILERS a seguir

Os Salvadores são tão ruins ou até piores que os antagonistas já enfrentados ao longo de The Walking Dead. Quem acompanha a HQ sabe que eles mereceram o ataque e aquilo sequer será encarado como um ato cruel. Mas até aquele momento, Carol, Daryl, Glenn, Rick e todos os outros não tinham como saber disso, não poderiam adivinhar que todos eram merecedores da execução sumária.

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“Estes somos quem somos”, mas o que eles são, ou eram, são acrescidos de novas camadas na complexidade humana, moldando-os não como seres unilaterais ao mundo pós-apocalíptico, covardes ou corajosos, assassinos ou fugitivos. Eles se tornam um pouco disso tudo, as vezes com exagero de um ou outro adjetivo.

É ficar ou correr, como tantas outras vezes já fizeram. Quando encararam de frente o perigo, esperando que a violência batesse à porta com um tanque de guerra também tiveram que fugir, então a estratégia é antecipar e buscar resultados novos. Mostraram que são capazes de cruzar a linha do correto e ainda assim encontrar meios de se enxergarem como os certos. Serão capazes também de se reconhecerem quando alguém contar a história deles? Terão orgulho do que se tornaram e dirão que as circunstâncias os obrigaram?

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Recomendo o filme “Beasts of no nation”, produção do Netflix que aborda como ocorre a transformação de pessoas em ambientes que exigem, vez ou outra, certo resgate de “quem eram”, para entender “quem são” no presente.

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