Se no fraquíssimo Honey uma desconjuntura veio à tona, onde a inserção do novo grupo com total zero de motivações para serem contra Virginia foi um dos motivos para meu desgosto, o texto de Alex Delyle parece reconhecer a imprecisão que a primeira parte vem trazendo e faz uma fusão só, colocando os grafiteiros do fim do mundo já no encalço da cowgirl.

Quando June perde um paciente na sua clínica móvel, o pensamento de não estar fazendo a diferença lhe incomoda o suficiente para fazê-la encarar uma chuva de combustível e tentar salvar o povo do atentado em Tank Town.

Estabelecido isso e o anseio de Ginny por respostas, um impasse entre as duas é criado. Por meio do roteiro simples de Delyle, fica evidente a impotência da vilã que, no frigir dos ovos, tem uma postura mais ambivalente para com seus métodos – até justificáveis se forçamos bem -, que quando compreendidos, June não demora a usar dessa brecha para conseguir seu tão sonhado hospital com uma machadada das boas. (Pois uma mão a mais é sempre bom para ajudar).

Além de que o rápido cárcere da dupla – que me remeteu ao de Gabriel e Negan, no 8X05 – serviu para Colby Minifie mostrar o lado mais emocional da vilã da qual ainda não tínhamos presenciado, por mais vago que tenha sido.

Mas não vamos culpar atriz quando o desapego vem dos próprios produtores que aparentam tê-la criado com o objetivo de ser só a pedra no sapato dos sobreviventes e nada além disso. Não é à toa que ela está em quase todos os episódios, não?

O que me deixa curioso é o destino de John, tão atormentado pelos eventos de The Key que tomou a decisão de deixar sua esposa para trás. Ele vai voltar para a cabana? Trombar com Morgan e cia e, enfim, fazerem uma baguncinha em Lawton? Provável que sim.

Só acho que se os acontecimentos do 4° episódio tivessem precedido deste, talvez minha estranheza teria sido menor, pois achei meio abrupto. Precisei lembrar o quão incomodado ele ficara com a morte de Janis para aceitar tal decisão.

Não posso esquecer de dar méritos a Jenna Elfman, que se saiu muito bem aqui, apesar da minha pessoa ter preferência dos holofotes em Luciana, já que a temporada passada deu a entender que a trama dos campos de petróleo era exclusivamente dela. Erro meu. (Realmente os showrunners estão cagando para os personagens antigos).

E se eu pudesse avaliar o episódio apenas pela direção de Sharat Raju, abusando da câmera na mão que nos mergulha nas situações de emergência, tomadas aéreas excelentíssimas, plongées e contra-plongées que nivelam o poder entre June e Virgínia no isolamento, com a câmera abaixo de seu ombro e a outra sobre a da cirurgiã, ao mesmo tempo que explora bem a ambientaçã  - mérito ao laranjão que domina a cena -, talvez a classificação seria acima do aceitável.

Entretanto, nem tudo são flores para uma série de muitos baixos e poucos altos, e que agora investe em trabalhos fragmentados dos quais finge andar com a trama.

Bury Her Next to Jasper’s Leg traz um pequeno vislumbre de Virgínia, mas ainda não o suficiente para dizer a que a personagem veio. Sendo mais um esboço de uma história que podia render muito mais se melhor explorado e pouco preocupado em criar mistério.

Nota: 3/5

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