Eu não sei como explicar, mas desde que Jonh Dorie entrou na série, é como se eu já soubesse que teríamos um episódio assim. A pegada Western que envolve o cowboy merecia ter o momento que teve, e foi além das expectativas.

John e June estão em busca dos garotos que negaram ajuda do grupo. No caminho se deparam em um parque temático de velho-oeste, onde Dorie costumava passar alguns finais de semana, ou nas suas palavras “o seu lugar favorito”.

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Uma micro-cidade, que mais parece um cenário de filmes de Faroeste da década de 70, que foi o pano de fundo do episódio em que o segundo crossover da série acontece. Atacados por alguém misterioso dentro do parque, John e June abatem seu inimigo, e logo a audiência reconhece de quem se trata.

Dwight segue em busca de sua esposa Sherry, e tem falhado miseravelmente em sua empreitada. Não à toa o casal mais simpático e apaixonado da franquia começa a lhe dar exemplos de como não devemos desistir de encontrar a pessoa que amamos, e que a esperança é o motor de combustão para que a chama não se apague.

O Episódio é delicioso, romântico e triste. Dwight estaria prestes a desistir de sua esposa se não fosse o vigor de June e o otimismo quase bobo de John. O roteiro aqui é o ponto alto, em um episódio de certa forma parado, com picos pontuais de ação. Funciona como ferramenta de diálogo que prende, que soa como lições de vida, e mostra como o mundo deixa de ser cinza quando temos alguém que amamos.

Impossível não se deleitar com Dorie aniquilando os zumbis com a sua pontaria precisa e estilosa, à moada Cint Eastwood. O cowboy faz um mar de cadáveres e ainda por cima, com apenas uma bala mata dois zumbis ao partir o projétil na lamina do machado de Dwight. Por mais forçado que tenha sido, foi divertido e extremamente crível, em se tratando da melhor pontaria do Texas.

Não é a primeira vez que Fear consegue abordar o amor com maestria em um episódio. Com diálogos eloquentes e otimistas, com o caos instalado na volta, é como se o mundo ficasse mais leve, fazendo com que lamentemos aqueles sobreviventes que não possuem um amor para que possam lutar.

Outro ponto alto, ainda que curto, foi a cena em que Morgan e Dwight ficam cara a cara. A reação de ambos é sincera e nostálgica, fazendo com que lembrássemos de tudo que a dupla já passou na Virginia, na Guerra Total, e agora tentam recomeçar suas vidas, cada um atrás de seus propósitos.

A introdução de Dwight na série, e a química que ele teve com o casal, mostra que mais uma vez o time de roteiristas e produtores da série derivada vem sucessivamente acertando em suas escolhas, oxigenando um universo tão desgastado pelo tempo e por escolhas desastrosas.

Nota: 9,0