Faltando menos de uma semana para a Season Finale, depois uma temporada que passou extremamente rápida, chegamos em um ponto crucial no penúltimo episódio.

Crucial pois foi um episódio tão fechado e que colocou tantos pontos finais, que até pareceu fim de temporada. Claro que morno e nada grandioso, mas o tom foi de fim de festa. Enfim ocorreram os encontros e reencontros que haviam sido disparados lá no episódio 9, ficando de fora apenas Althea, que tem paradeiro incerto.

Tudo foi resolvido de maneira orgânica. Um episódio bonito, que pareceu dar uma leve derrapada de roteiro em alguns momentos, mas que se manteve coeso, poético e, como já de costume, com leves pitadas de humor. As derrapadas ficam por conta da ladainha que se criou dentro do hospital. Entre o telhado e o térreo os sobreviventes sobem e descem inúmeras vezes, tomam caminhos repetidos e absolutamente em vão. Vamos considerar que essa foi a enrolação clássica que alguns episódios carregam, mas me chamou a atenção pela banalidade e na útil narrativa nesses momentos.

O que mais chama a atenção é que um penúltimo episódio teve tempo para enrolar e ao mesmo tempo resolver 90% das tramas em aberto, mostrando, em uma análise mais profunda, como a segunda metade da série, apesar de inovadora e funcional, teve uma construção narrativa frágil e simplória: Pega todo mundo, joga uma tempestade no meio, atira um para cada lado, faz com que todos se encontrem aos poucos enquanto gente nova (“new people”) entra na história e lá no final tudo vai dando certo, adicionando uma carga dramática que envolva.

Os méritos dessa segunda metade da temporada não ficam em sua construção narrativa, mas sim na condução com que ela foi direcionada, onde o que provavelmente resultaria no mais do mesmo acabou inovando e mostrando como divisão de núcleos pode funcionar muito bem. Mais uma vez aplausos para os novos roteiristas.

Nesse episódio tivemos enfim o resgate de John e Strand executado com maestria por Alicia e Charlie, além do reencontro desses quatro com os demais sobreviventes no cerco do hospital. A morte de Jim, o cervejeiro, que no final de sua vida após infernizar gratuitamente o Morgan (mostrando de maneira forçada que aquelas atitudes serviram apenas para ser a combustão de mais uma crise de instabilidade que está acometendo Morgan) serviu como tábua de salvação para todos em um momento crítico, sacrificando algumas horas finais de vida e revelando a receita de sua cerveja para Sarah.

Foi bonito ver a primeira cena de Victor e Alicia juntos nessa segunda metade, a troca de olhares entre os dois arrepiou e mostrou o peso do luto que ambos estão passando (deu pra sentir presença de Madison e Nick na cena). Confesso que senti falta de um abraço forte entre os dois talvez até alguma lágrimas.

Falando em abraço, foi extremamente decepcionante a cena do reencontro entre June e Jonh. Tentaram inovar ao “realizar” esse encontro tão esperado via conversa por rádio, mas não deu certo. Depois de tanta expectativa criada e a incansável sede de reencontro que ambos demonstraram no decorrer dos últimos episódios, não satisfizeram a audiência com um humilde close de mãos dadas – pelo menos não os mais românticos, seara que esse redator se encontra.

Por último, e não menos importante, tivemos o divertido e dinâmico resgate de Morgan, onde todo o grupo participou e contribuiu para tirar o novo líder do telhado do hospital. Morgan não pareceu muito contente, mas ficou constrangido ao ver tamanha comoção e cooperação vinda de seus companheiros, não podendo negar a ajuda divina. E com isso tivemos todos novamente reunidos no furgão da Al faltando apenas a própria na comitiva.

Percebam que chegamos enfim à season finale e o que resta em aberto são apenas 2 coisas: o sumiço de Althea com seu iminente resgate e Martha, que não está morta, escapou do grupo e agora refez sua corrente que havia sido quebrada por meio do cadáver zumbificado de Jim e que provavelmente irá atrás de Morgan.

Então vem a minha pergunta: esse enredo pendente seria suficiente para carregar um final de temporada com a qualidade esperada para um último episódio? Eu ceticamente diria que não! Mas como estamos falando de FEAR, tudo é possível. Os roteiristas são bons e podem nos suspender.

Não há como negar que foi um arriscado salto no escuro promover um penúltimo episódio tão conclusivo para o arco narrativo, entretendo, é interessante pensarmos como uma serie consegue ser tão envolvente, criativa e pragmática, mostrando que a enrolação da narrativa por meio do roteiro já não domina mais a série-filha, exorcizando complemente esse artificio que série-mãe insiste em fazer uso.

Fear em sua quarta temporada teve dois arcos bem definidos. O primeiro, denso e complexo, cheio de linhas cronológicas e flashbacks entorno de Madison e a queda de sua comunidade. Já o segundo foi muito mais ameno, seguindo uma linha temporal direta e mais intimista, mostrando os impactos de uma tempestade em um grupo fragilizado.

A sensação que fica, mesmo antes do final, é que a renovação da série deu certo, e por mais que tenhamos uma season finale “fraca”, impossível que isso coloque toda a temporada em jogo. Fear teve tantos acertos que seu saldo positivo está longe de ser abatido. Mas nada melhor que fechar algo grandioso com uma bela chave de ouro. Esse próximo episódio está mergulhado em incertezas, então deixamos que a série nos surpreenda no último suspiro desta temporada.

Nota: 8,0

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