Tenho que ser sincero, semana após semana FEAR tem se mostrado muito superior à série mãe. O derivado parece ter aprendido com os erros do original, principalmente no quesito Roteiro. O quinto episódio da quarta temporada, simplesmente intitulado “Laura”, exemplifica muito bem a diferença entre as duas séries.

Jonh Dorie, o cowboy do apocalipse, tem seu passado revelado onde é apresentada a justificativa de sua motivação, para, lá no presente, com a família Madison e cia., continuar sua peregrinação em busca de sua amada.

Calado, tímido e metódico, acompanhamos uma John recluso em sua cabana de lenhador, onde há muito tempo o único som que escuta é o da sua própria voz e o grunhido de alguns walkers que volta e meia batem à sua porta trazidos pela correnteza do rio que o cerca. Após meses (talvez alguns anos) de isolamento, um corpo bate à sua porta no leito do rio.

A já conhecida do Público Naomi está ali, desacordada, ferida e desamparada. O bom e cordial Dorie (como o peixe do Nemo) prontamente socorre a enferma. A forma com que a relação de ambos vai sendo construída é deliciosamente linda. Laura/Naomi é arisca,
desconfiada e um tanto quanto fria, o oposto de John, que mostra que simpatia e benevolência ainda resistem em meio ao caos que a sociedade foi brutalmente inserida.

John Dorie era policial e abandonou a profissão por ter matado um assaltante. Depois desse trauma, se recolheu aos confins da margem de um rio Texano e desde então não faz mais uso de armas de fogo. Laura extrai essas informações de John e quase como uma terapeuta motivacional tenta lhe mostrar que ele não fez nada de errado e que devia voltar a fazer o uso de armas, pois o mundo agora necessita mais do nunca. A essa altura Dorie já está perdidamente apaixonado por sua musa que parece ser a tábua de salvação e motivação para seguir em frente.

Destaco nesse episódio uma característica especial: a sua independência. É impressionante como ele simplesmente poderia existir sozinho, alheio à toda trama, e ainda assim tem seu encaixe perfeito, e nos é apresentado no momento exato da série. A profundidade que este episódio dá para a relação do casal abruptamente separado é arrebatadora.

Depois de um convívio tímido, que vai se intensificado a cada dia, com o entrosamento cada vez mais natural e singelo, o coração do bom e velho John começa a se agarrar com afinco em Laura.

Em uma certa noite, uma gigante horda de zumbis cerca a cabana de Jonh, e ele entra em ação junto de Laura para limpar essa ameaçadora bagunça. Laura então é cercada por um esfomeado grupo e o caminho parece não ter volta, e a ela só resta um grito de desespero como um último aviso da iminente morte; “JOHN!”.

Após alguns segundos de silêncio e tensão ouve-se: “BANG! BANG! BANG!”. No melhor estilo de Clint Eastwood, Jonh está com um par de pistolas acertando em cheio todos os comedores que cercam sua amada. Ele salvou alguém fazendo o uso das exiladas armas de fogo (que são lindíssimas por sinal). Algo muda em Jonh.

Imediatamente após limparem a bagunça e Laura lhe agradecer chamando-o de herói, o pistoleiro oferece uma gêmea das suas duas pistolas à Laura, para que ela possa se proteger do mundo que lhe aguarda, uma vez que ela ameaça a todo instante a sua futura e incerta partida.

Então após mais alguns dias de convivência, John, nitidamente atordoado pelo sentimento que tem invadido seu coração solitário, quase em uma reação impensada, timidamente se declara para Laura: “Eu te amo”. O romântico diálogo apaixonado que de desdobra a seguir deixou os olhos do redator levemente marejados. Talvez uma das declarações de amor mais lindas dos últimos tempos e que eu jamais esperaria ver no mundo de The Walking Dead.

Laura parte em direção de Jonh e lhe rouba um beijo apaixonado. Ele a abraça com força e talvez uma bela noite romântica tenha acontecido ali. No despertar do que parece ser a manhã seguinte ao beijo, Jonh finalmente está dormindo pesado, como há muito não fazia, devido a insônia que ele classifica como maldição, e então se dá conta que está sozinho na cama.

Calmamente ele se levanta, chama por sua amada e a única coisa que encontra é uma mensagem deixada em cima de sua mesa: “Eu também te amo. Sinto muito”. Assim Laura, a misteriosa mulher que arrebatou o coração de John, lhe deixa sem qualquer pista
de seu paradeiro.

Após todo o extenso flahsback, voltamos ao presente (e sua lindíssima fotografia quase desprovida de cores) com John sentado ao lado de Morgan, na jornada em busca de Laura rumo ao Estádio onde ela estava com a família Clark antes da trama com os Abutres terminar mal.

Eles têm um curto, porém intenso diálogo, onde a afinidade de pensamentos de ambos se mostra alinhada. Após um lampejo de esperança que Morgan brilhantemente injeta em John, os dois solitários amigos se levantam e calmamente marcham rumo ao desfecho da saga de John e seu amor.

Engana-se quem pensa que o verdadeiro e intenso amor não existe no apocalipse.

Nota: 10/10

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